A Criação de Final Fantasy

A Criação de Final Fantasy

Conheça como a série Final Fantasy foi criada e curiosidades das 7 primeiras Fantasias Finais!

Final Fantasy é uma saga de jogos no estilo JRPG (Japanese Role Playing Game) altamente aclamada no mundo Gamer. A história de toda a série surgiu com um homem chamado Hironobu Sakaguchi.

Final Fantasy

Na década de 1980, Hironobu Sakaguchi era um homem visionário, que queria fazer jogos de JRPG já há muito tempo, mas a empresa em que atuava, a Squaresoft (que, com o tempo, veio a se transformar em Square Enix), não o deixava produzir, porque os jogos de JRPG, na década de 1980, não estavam em alta e não tinham muitas vendas. Em 1986, o JRPG Dragon Quest foi lançado, explodiu em vendas e também com a cabeça dos gamers japoneses, fazendo, então, com que a empresa mudasse de ideia e aprovasse o projeto de Hironobu.

Final Fantasy
Hironobu Sakaguchi, criador da Franquia Final Fantasy.

Final Fantasy foi lançado em 1987 para o Nintendo Entertainment System, o NES, e é um jogo de JRPG, gênero onde você “faz o papel” de algum personagem, atuando dentro de um mundinho, seguindo o sucesso de Dragon Quest.

Final Fantasy, 1987, NES.

A história conta sobre quatro jovens chamados de Light Warriors, os “guerreiros da Luz”, e cada um carrega um dos 4 orbs elementais do mundo. Esses 4 orbs são corrompidos pelos 4 Demônios Elementais, e, juntos, esses guerreiros devem derrotar essas forças malignas e trazer a luz de volta aos orbs. Isso era contado nas primeiras telas do jogo, em forma de texto, e durante os diálogos entre os personagens durante a jogatina.

O sistema de batalhas por turno no JRPG.

O jogo se chamaria Fighting Fantasy, mas problemas com direitos autorais, já que existia um jogo com esse nome, fizeram com que ele e a Square decidissem por Final Fantasy, porque Sakaguchi achava que esse seria seu último jogo, ele sairia da indústria de videogames e voltaria à faculdade, caso o jogo não vendesse muito (claramente confiavam bastante no sucesso da empreitada). Outra razão para o nome Final Fantasy é que a Square estava sob ameaça de falência, então, esse jogo deveria ser seu último, um “all-in” da empresa, sua última fantasia.

Hironobu Sakaguchi era considerado um “chefe carrasco”, então poucos de seus colegas designers de jogos anteriores se uniram a ele. O sistema de batalha foi baseado puramente nos jogos de tabuleiro Dungeons & Dragons e influenciado pelo jogo Ultima, de 1980, de PC, onde você construía um personagem na era medieval e que foi o primeiro jogo em mundo aberto da história.

Foi influenciado também por Wizardry, de 1981, de PC, que também abordava uma aventura medieval, mas que trouxe essa ideia das batalhas por turno. Final Fantasy foi o primeiro jogo em que elementos de fogo e gelo foram incluídos em um RPG japonês, características que Sakaguchi tinha trazido dos jogos ocidentais.

Ultima, o primeiro jogo de mundo aberto / Wizardry, jogo de RPG em texto.

Qual o resultado da obra? A primeira versão vendeu 1,99 milhão no mundo inteiro. A IGN colocou como o 11º melhor jogo de NES, e a Games Radar colocou como o 8º, e ele esteve na lista de melhores jogos de todos os tempos em vários veículos da mídia. Portanto, salvou a empresa, seu emprego, e, com certeza, gerou várias sequências, que a vamos ver a seguir.

Final Fantasy II

Final Fantasy II saiu em 1988, novamente para o Famicom (o NES japonês). Nesse jogo, quatro jovens (de novo), tiveram seus pais mortos durante a invasão do império de Palamecia, que evocava demônios para dominar o mundo. Eles devem, então, se rebelar contra o Império e proteger sua amada terra!

Final Fantasy II, 1988.

Hironobu Sakaguchi, que tinha planejado o anterior, assumiu agora papel de Diretor de um time de desenvolvimento maior que o do primeiro jogo. O foco agora era adicionar boas ideias para a história e para o mundo, já que a jogabilidade tinha se estabelecido no primeiro, e adaptar essa jogabilidade ao novo enredo.

O cenário de FFII, bem semelhante ao primeiro.

A trilha sonora foi criada por Tsuyoshi Sekito, que também tinha feito para o primeiro, e são essas músicas que se estabeleceram como temas principais de Final Fantasy e reutilizados durante toda a série.

Agora você poderia salvar o jogo em qualquer hora, e não apenas nas cabaninhas de save, como no primeiro jogo, o que ajudava na hora em que a mãe chamava com a janta pronta. Foi no segundo jogo da saga que surgiram os Chocobos, nossos cavalinhos penados e amarelos.

Chocobos são aves usadas como montarias e que não voam. Segundo algumas fontes, os Chocobos foram inspirados pelo pássaro pré-histórico Gastornis e pelos Horseclaws do mangá Nausicaa of the valley of the Wind, de Hayao Miyazaki, de 1982.

Um Chocobo e suas inspirações: o Gastornis e os Horseclaws.

O jogo vendeu 1,28 milhões de cópias, 1,08 delas só no Japão, já que não foi oficialmente lançado no Ocidente. A revista Famitsu deu a ele o prêmio de “Best Scenario”, que seria melhor enredo. A série continuava forte, então a Square continuaria investindo em sequências.

Final Fantasy III

Lançado em 1990, Final Fantasy III contava com o mesmo time de desenvolvedores dos anteriores, encabeçado pelo Hironobu Sakaguchi, e saiu no mesmo momento da criação do Super Famicom, o Super Nintendo, então saiu tanto para o Famicom quanto para o Super.

Neste jogo, mais uma vez, quatro jovens são atraídos pelo cristal de Luz, que dá a eles poderes, e pede que eles restaurem o equilíbrio entre os cristais e cristais negros, para salvar o mundo. Apesar de ser a mesma história, era sempre um mundo diferente, mas sempre com a presença de orbs, cristais de luz e criaturas dominadoras de mundos.

Final Fantasy III, 1990, Super Famicom.

Assim como Final Fantasy II, ele também não saiu para o Ocidente. Segundo o designer Hiromichi Tanaka, a Square estava ocupada desenvolvendo novos jogos para o novo console da Nintendo, por isso não deram importância para adaptar uma versão em Inglês do jogo, sendo essa a causa para os primeiros jogos não terem sido lançados no Ocidente.

A Batalha dos Friends em FFIII.

A revista Famitsu o nomeou FFIII como o 8º melhor jogo de todos os tempos. Ele vendeu 1,4 milhão de cópias no Japão, e um remake para o Nintendo DS foi feito em 2006, vendendo mais 1,93 milhão de cópias no mundo todo. A cada edição, Final Fantasy se superava em notas e no encanto que trazia aos fãs, então não era hora de parar.

Final Fantasy IV

O quarto jogo foi lançado em 1991, também para o Super Famicom no Japão, e lançado como Final Fantasy II para o SNES para o resto do mundo, causando uma confusão para nós ocidentais.

As capas de Final Fantasy IV (FFII, no ocidente)

Uma nova história: Cecil, um cavaleiro negro, comandante dos Red Wings, começa a ficar insatisfeito com as ordens do rei de Baron, que queria que invadissem e saqueassem um vilarejo, buscando os Cristais elementais. Ele e seu parceiro Kain descobrem os planos do mago Golbez, que quer usar esses poderosos cristais para destruir o mundo. O jogo tem 12 personagens jogáveis, cada um com uma classe diferente, que é uma das inovações, e você pode ter, no máximo, cinco personagens no seu grupo ao mesmo tempo.

Cecil se rebelando contra seu rei em FFIV.

A principal inovação do título é a Batalha em Tempo Real, a ACTIVE TIME BATTLE, popularmente conhecida como ATB, criada por Hiroyuki Ito e que seria usada também nos próximos jogos. Nela, os personagens tinham velocidades diferentes para fazer as ações, então alguns atacam antes e mais vezes que outros, não tendo uma igualdade de ataque, como havia nos anteriores, e que influencia bastante nas batalhas.

A batalha em tempo real de FFIV.

A ideia do time era criar um jogo para NES e outro para SNES (que seriam FFIV e FFV, respectivamente), mas o limite de orçamento e cronograma fez com que desistissem da versão para NES, e mantivessem apenas o V, agora renomeado para IV. Ou seja, um dos jogos foi completamente cancelado. Sakaguchi chegou a dizer que o jogo estava 80% completo quando cancelaram, mas que conseguiram reaproveitar algumas coisas.

O novo Lead Designer, Takashi Tokita, estreou na Square, e tinha uma ideia de um jogo mais de ação, mais dinâmico, mas isso fugia muito de Final Fantasy, e ele deixou a equipe e acabou criando o Chrono Trigger – mais um exemplo de um jogo famosíssimo que surge do cesto de lixo de outro.

O jogo era tão grande, que teve que ser reduzido a ¼ do seu tamanho original, por causa da capacidade dos cartuchos. Antes de sair, Tokita tinha decidido cortar todos os diálogos desnecessários para respeitar os limites, sem que sangrasse demais a narrativa.

O grande mapa de FFIV.

Final Fantasy IV foi ovacionado pela crítica e foi considerado o melhor Final Fantasy até então. Contando as versões de SNES, Playstation, Game Boy, Nintendo DS e PC, vendeu mais de 3 milhões de cópias!

Final Fantasy V

Lançado em 1992 para o Super Nintendo, chegamos ao jogo favorito de Hironobu Sakaguchi, Final Fantasy V.

Um andarilho chamado Bartz investiga um meteoro que caiu em seu planeta. Lá, ele encontra uma galera interessante, que revela que os 4 Cristais Elementais do mundo estão em perigo. Segundo os mitos, os cristais são um selo para que Exdeath, um mago maligno, não volte ao mundo. Bartz deve, então, resgatar os cristais (mais uma vez) para impedir o retorno de Exdeath.

Final Fantasy V, 1992, Super Nintendo.

Um nível de customização nunca antes visto, através do melhorado Job System, o sistema que dava “profissões” a cada personagem, que teriam habilidades, armas e armaduras únicas para realizar as ações. Eram 22 Jobs para escolher, e o personagem ganhava Ability Points para melhorar os levels da sua profissão.

As lutas de FFV.

A música foi composta por Nobuo Uematsu, que criou 56 faixas para o jogo, o que era muita coisa para um jogo daquela época.

Segundo a revista GamePro, em 1993, as autoridades japonesas pediram que a Square não lançasse o jogo durante um dia de escola, porque as crianças matariam aula para esperar na fila e comprar o jogo nas lojas.

Respeitando o pedido de diretores de escolas desesperados, a Square vendeu 2,45 milhões de cópias só no SNES, ganhou os prêmios de Melhor Jogo Importado pela revista GameFan e Melhor Música, mas algumas críticas o chamaram de repetitivo, encontros demais com monstros, e uma necessidade grande de batalhas só para conseguir pontos de habilidade.

Apesar delas, Hironobu Sakaguchi conta que FFV é o seu preferido da série toda, talvez pelo fato que revelaremos a seguir.

Final Fantasy VI

Final Fantasy VI saiu em 1994 para o Super Nintendo.

O sexto jogo foi o primeiro a não ser dirigido por Hironobu Sakaguchi, que se tornara o Vice-Presidente Executivo da Square. Dessa vez, dirigido por Yoshinori Kitase e Hiroyuki Ito, criador do sistema de batalha que vimos agora há pouco, e com boa parte do mesmo time dos anteriores.

Temos uma mudança grande no enredo: dessa vez, a época é outra. Com uma temática Steampunk, em uma era parecida com a nossa Segunda Revolução Industrial, com tecnologia e cidades superpopulosas, nada mais tão medieval quanto os anteriores. 1000 anos após a Grande Guerra Demoníaca, a Magia já não existe mais, mas os humanos recriaram sua sociedade com máquinas a vapor, minas de carvão e tecnologia.

Terra Branford e o mecanismo controlador de mentes.

A personagem principal, Terra Branford, é uma escrava do império graças a um mecanismo controlador de mentes, e os 14 personagens jogáveis devem lutar contra esse controle e se rebelar contra seus opressores.

As batalhas em FFVI.

A gameplay continuou a mesma, mas o diferencial foi a sensualidade que o jogo tinha. Algumas ilustrações com nudez foram censuradas para a versão americana, e alguns gritos de “Vá, mate-os” viraram “Vá, pegue-os”. Alguns xingamentos também foram adaptados.

Sprites censuradas do jogo.

Em 7 anos da série, Final Fantasy VI foi o que mais inovou e quebrou as barreiras e padrões da saga. Foi considerado pela IGN como o 2º melhor RPG de todos os tempos em 2017, Melhor RPG do Ano, Melhor RPG Japonês e Melhor Música pela Eletronic Gaming Monthly e também pela GameFan, e vendeu mais de 3,48 milhões de cópias no mundo.

A nova temática steampunk caiu como uma luva nas Fantasias Finais, e o próximo título ficaria marcado como um dos maiores e mais marcantes de todos os tempos.

Final Fantasy VII

Lançado em 1997, chegamos ao jogo que revolucionou toda a franquia! Final Fantasy VII! Seguindo a pegada steampunk iniciada em FFVI, Cloud Strife é um mercenário que se junta a uma organização eco-terrorista para impedir que a Megacorporação Shinra use a energia vital do planeta, chamada de Mako, como fonte de energia. A partir daí, o enredo se desenrola para uma das histórias mais longas e famosas dos videogames.

Cloud Strife chegando para invadir o reator da Shinra, em FFVII.

O desenvolvimento começou três anos antes, o jogo seria em 2D e sairia para o SNES, assim como FFVI, mas tudo atrasou quando o time teve que ajudar na finalização do Chrono Trigger, sendo, então, replanejado para o Playstation.

O jogo foi produzido pelo Hironobu Sakaguchi, dirigido pelo Yoshinori Kitase, e foi o primeiro da série a usar gráficos totalmente em 3D, com fundos em 2D pré renderizados, como foi feito com Resident Evil.

Personagens em 3D poligonal e fundos pré renderizados.

A gameplay é a mesma dos outros jogos: um mapa do mundo (que dessa vez, todo em 3D), o campo e o menu de batalha. Nesse mapa, você pode achar nossos queridos Chocobos, capturar e montar eles para chegar a áreas que só eles acessam. Apesar de não usar o Job System, você tem estilos e raças diferentes para o personagem e o mesmo Active Time Battle, com personagens com ataques mais rápidos que outros.

As batalhas por turno de FFVII.

O diretor de arte foi Yusuke Naora, que também tinha feito FFVI. Como seria em 3D, Naora disse que precisou reaprender a desenhar, e criou um departamento só de ilustração e modelos em 3D. Buscou um estilo “obscuro e estranho”, e ele mesmo desenhou o logo da Shinra, a companhia maligna. A escolha seria entre criar o 3D a partir de pixel art, ilustrações, ou personagens poligonais, e o time optou por usar polígonos, porque, assim, os personagens expressariam mais emoções. Essa escolha também foi influenciada por Alone in the Dark.

Os estudos para Cloud Strife: pixel art / ilustração / 3d poligonal.

Como o jogo migrou da fita para o CD-ROM, eles enfrentaram alguns problemas. A velocidade de leitura do CD-ROM era menor, então o jogo ficaria mais lento em alguns momentos, então eles criaram algumas telas de loading disfarçadas com animações, para esconder o tempo de carregamento.

Final Fantasy VII, Playstation, 1997.

A trilha sonora também foi do Nobuo Uematsu, que agora podia criar músicas de melhor qualidade usando o CD-ROM, e aproveitar as áreas de loading para destacar suas criações musicais. No SNES, o áudio tinha 8 canais, enquanto o PS1 tinha 24, então ele usou 8 canais para efeitos sonoros e 16 só para a música. Ele queria tratar a trilha como se fosse de filme, algo que complementasse o sentimento de cada cena, e não tentar definir um tema forte para o jogo.

O diretor e criador da série, Hironobu Sakaguchi, perdeu a mãe durante a produção do game, e por isso incluiu uma das mortes mais importantes do jogo, uma morte que impactasse mudasse o rumo da história, para que o jogador pudesse sentir essa forte emoção, como ele tinha sentido.

O jogo vendeu, em 1997, no Japão, 3,27 milhões de cópias. Até 2019, o jogo já vendeu 12,3 milhões. É considerado por muitos o melhor jogo já feito (não o melhor FF, mas o melhor jogo de videogame). Ganhou inúmeros prêmios, como Melhor RPG do ano, Melhor Aventura, Melhor Arte e Gráficos, Melhor Final, Melhor Propaganda Impressa, e até Personagem de Videogame mais Gata para a personagem Tifa Lockhart, a lutadora de artes marciais e uma das personagens jogáveis.

Tifa Lockhart, eleita a Hottest Game Babe de 1997.

E essa é a história das primeiras Sete Fantasias Finais! Qual é sua história com Final Fantasy? Qual o primeiro que jogou? E o seu favorito? Conta para a gente nos comentários!!


Esse conteúdo é propriedade do canal Conta & Joga, criado por Mateus Foca e Danilo Fernandes.

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